As Ilhas Desertas: O Santuário Selvagem do Atlântico
Navegando a sudeste da Marina da Quinta do Lorde, o horizonte vai revelando lentamente um dos segredos mais bem guardados do Atlântico: as Ilhas Desertas. Selvagens, silenciosas e fortemente protegidas, estas três ilhas são um mundo à parte — e na SeaYa! Madeira, são o destino de que mais nos orgulhamos de partilhar com os nossos convidados.
Três Ilhas, Um Arquipélago
As Desertas são formadas por três ilhas distintas, alinhadas de norte a sul como uma espinha dorsal a emergir do mar:
- Ilhéu Chão — a mais a norte e a mais pequena, um planalto com apenas 98 metros de altitude, com um farol e o seu companheiro ilhéu, o Farilhão.
- Deserta Grande — a maior, com 11,7 km de comprimento e até 479 metros de altitude, com falésias dramáticas e a única baía de abrigo de todo o arquipélago.
- Bugio — a ilha mais a sul, mais selvagem e remota, habitat de aves marinhas nidificantes e de uma população de caracóis endémicos recentemente resgatados da extinção.
Em conjunto, cobrem uma área total de 14,21 km² e são administradas pelo município de Santa Cruz, Madeira.
14 Milhas Náuticas — Cerca de 2 Horas e 20 Minutos à Vela
A partir da nossa base na Marina da Quinta do Lorde, no Caniçal, o Ilhéu Chão — a primeira das três ilhas — fica apenas a 14 milhas náuticas a sudeste. A uma velocidade de cruzeiro confortável de 6 nós, isso representa cerca de 2 horas e 20 minutos de navegação em cada sentido. É a distância ideal para um passeio de dia inteiro: mar suficiente para sentir o oceano, sem chegar exausto ao destino.
A aproximação é espetacular. As faléssias da Deserta Grande emergem da neblina como algo pré-histórico, cor de ferrugem e ocre, caindo verticalmente numa água azul profunda.
A Única Baía de Abrigo: Porto das Moças
Em toda a costa das Desertas, existe apenas uma baía de abrigo segura: o Porto das Moças, uma enseada natural no flanco sudoeste da Deserta Grande. É aqui que as embarcações autorizadas fundeiam, e onde se encontra o posto dos Vigilantes da Natureza. Oferece abrigo moderado dos ventos dominantes e é a porta de entrada para tudo o que a ilha tem para mostrar.
Um Santuário Protegido Desde 1990
As Desertas encontram-se legalmente protegidas desde 1990, quando foram classificadas como Área de Proteção Especial, principalmente para salvaguardar uma população criticamente ameaçada de foca-monge do Mediterrâneo. Em 1995, o estatuto foi elevado a Reserva Natural — a Reserva Natural das Ilhas Desertas — e foram também reconhecidas como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. Toda a área, incluindo 100 metros de fundo marinho envolvente, integra agora a rede Natura 2000.
O acesso é rigorosamente controlado. Todas as embarcações necessitam de autorização prévia do IFCN (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas). O desembarque nas ilhas só é permitido em zonas delimitadas, e a zona marinha a sul está completamente interdita à navegação.
A Fauna: Rara, Endémica, Extraordinária
As Desertas têm uma biodiversidade muito acima da sua dimensão. É o que torna este arquipélago verdadeiramente único:
- Foca-Monge do Mediterrâneo (Lobo-Marinho) — Provavelmente o mamífero marinho mais raro do mundo. No final dos anos 80, a população nas Desertas tinha colapsado para apenas 6 a 8 indivíduos. Graças a décadas de proteção e monitorização, a colónia conta agora com cerca de 22 animais (dados de 2021). A colónia das Desertas é uma das apenas duas populações atlânticas remanescentes — a outra fica em Cabo Branco, na Mauritânia.
- Tarântula das Desertas (Lycosa ingens) — Espécie endémica encontrada apenas no Vale da Castanheira, na Deserta Grande. Uma das maiores aranhas da Europa.
- Aves Marinhas — O arquipélago é um vital centro de nidificação, reconhecido como Área Importante para as Aves pela BirdLife International. A Freira-do-Bugio e a Alma-Negra estão entre as espécies que nidificam aqui.
- Caracóis Endémicos — Duas espécies (Discula lyelliana e Geomitra grabhami) foram dadas como extintas durante mais de um século. Redescobertos entre 2012 e 2017, foram criados em cativeiro em zoos do Reino Unido e de França. Em 2024, mais de 1.300 indivíduos foram reintroduzidos no Bugio.
- Musschia isambertoi — Uma planta criticamente ameaçada encontrada apenas na Deserta Grande, confinada a um único local costeiro de difícil acesso.
Os Vigilantes da Natureza: Os Guardiões da Ilha
No Porto das Moças, na encosta virada a sul da Deserta Grande, ergue-se uma pequena casa — residência de uma equipa de Vigilantes da Natureza do IFCN. São estas pessoas que tornaram possível a recuperação do lobo-marinho. Vivem em rotatividade no posto, monitorizando a colónia de focas, controlando o acesso à reserva, realizando observações científicas e garantindo que as regras são respeitadas por todas as embarcações que entram na área.
Quando navega com a SeaYa! Madeira até às Desertas, vai conhecê-los. São conhecedores, apaixonados e genuinamente orgulhosos do que esta reserva conquistou. A sua dedicação ao longo de mais de três décadas é a razão pela qual o lobo-marinho ainda existe aqui.
Navegar até Lá com a SeaYa! Madeira
O nosso Full Day Sea Tour leva-o até às Desertas e de volta — uma aventura de 6 horas que inclui a passagem de 14 milhas em cada sentido, tempo fundeado no Porto das Moças, mergulho e snorkeling em algumas das águas mais cristalinas do Atlântico, e a hipótese de avistar o lobo-marinho no seu habitat natural.
Jacques Cousteau terá afirmado que estas eram as águas mais límpidas em que alguma vez mergulhou. Deixamo-lo a si tirar as suas próprias conclusões.
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